Bolinha Come
— desde 2017 —

Quem não se lembra de pedir uma bola de Berlim, quando a fome aperta um pouco naqueles dias preguiçosos de praia, em que não apetece sair da toalha? Pois bem, Sónia Fardilha e o seu marido, Miguel Galante, apreciavam de tal maneira este ritual nas praias Algarvias, que decidiram replicar o conceito no norte do país.

Natural de Esmoriz, mas convertida, há alguns anos, a São João da Madeira, a proprietária do Bolinha Come, situado na Rua do Dourado, nº246, trás para a cidade da indústria um negócio capaz saciar o palato mais guloso.

A primeira fase consistiu em conseguir confeccionar a bola de Berlim perfeita. Para o efeito, o casal recorreu, em 2012, a um familiar que era proprietário de uma pastelaria e juntos, experimentaram até obter a receita ideal. De seguida, após ter criado uma sociedade com um amigo, definiram a sua zona de acção, começando em territórios familiares, nomeadamente as praias de Esmoriz e do Furadouro. Esta primeira investida teve bom retorno durante o verão, mas esmoreceu inevitavelmente no Inverno, apesar de terem tentado entregas ao domicílio e a empresas para combater a época baixa. O projecto parece ter morrido logo no início, contudo, em 2014, Sónia e Miguel receberam um pedido inesperado. Os seus clientes insistiram que se voltasse a vender na praia! Face a tal pedido, e, em boa verdade, com um pouco de orgulho, o casal decidiu investir novamente no projecto.

Nesta segunda fase o negócio cresceu substancialmente, com a zona de entregas ao domicílio a englobar já os conselhos da Feira, Ovar, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Espinho, Gaia e Porto. Como consequência deste crescimento, Sónia vê-se obrigada a abdicar do seu trabalho a tempo inteiro para apoiar incondicionalmente o marido que confeccionava as Bolas de Berlim. O sucesso do negócio resulta ainda, na abertura da loja em São João da Madeira, cidade que, segundo Sónia, tem uma população aberta a novas ideias. O que há de tão inovador em bolas de Berlim, pode perguntar o leitor? Para perceber, basta considerar a eclética oferta deste cheiroso estabelecimento: bolas com recheios de chocolate, maçã-canela, nutella, kinder bueno, mirtilo, abóbora com noz, frutos vermelhos, e claro está, a bola de Berlim clássica.

A variedade não é, contudo, o único ponto forte. Os dois outros segredos são a qualidade dos ingredientes e a frescura do produto. 'Nunca vendi uma bola do dia anterior' afirma Sónia, com cara indignada, como se a mera possibilidade fosse uma ofensa.
Mas não há bela sem senão. A Bola Come padece de um mal deveras terrível: 1000 bolas diárias. Quem vive em São João da Madeira sabe que este número tende a decrescer muito rapidamente. Às vezes, são quatro da tarde e já nem uma bolita há para fazer o gosto ao dente. Uma injustiça!  
Bolinha Come

 

2018-08-10T10:34:25+00:00