CASA ORQUIDEA
— desde 1980’s —

Existem negócios que abrem e negócios que perduram. Não existe um método infalível para o sucesso, mas a dedicação e conhecimento são sempre pré-requisitos, principalmente quando esse conhecimento é bebido na fonte.

Assim se apresenta a Sra. Rosa Cardoso, proprietária da florista Orquídea, localizada na Rua Visconde, nº 2275, em São João da Madeira, uma pioneira na venda de flores e arranjos, que teve o privilégio de aprender a sua arte com a Sra. Maria Manta, na altura, (por volta de 1985) a única autoridade em arranjos florais em Portugal. Recuemos, contudo, ao início, para melhor perceber o percurso desta dedicada florista.

A nossa história começa nas Minas do Pejão, em Castelo de Paiva, onde a Sra. Rosa vivia e trabalhava diariamente. Tinha apenas dezassete anos quando o sr. Henrique Pinho se deslocou a Folgoso para a convidar a trabalhar no seu supermercado “Compra-bem”, que estava prestes a abrir. Na óptica do seu pai, patriarca da família, ou ia a família toda, ou não ia ninguém, e assim foi que, a família Gonçalves fez de São João da Madeira a sua nova casa. Os anos passaram e a Sra. Rosa lá foi amealhando poupanças na esperança de um dia poder ter o seu próprio negócio. A oportunidade surgiu na Rua Visconde, nº2293, onde se encontrava inicialmente a florista Orquídea. Adquiriu o trespasse à proprietária, a Sra. Fernanda e, não tendo prévia formação na área, foi comercializando um pouco de tudo, sempre de olho no que teria mais saída. A sua perspicácia traduziu-se em sabedoria, que lhe permitiu focar cada vez mais o seu setor de vendas, até que passou a comercializar quase exclusivamente frutas e flores. A Sra. Rosa, porém, apercebeu-se que flores e fruta não deviam partilhar o mesmo espaço, uma vez que algumas flores murchavam durante a noite. Não esteve com meias medidas e adquiriu a loja ao lado por trespasse, onde passou a vender fruta, que ficou da responsabilidade do marido Sr. José Cardoso. Nessa mesma altura foi convidada a pertencer à Interflora Fleurop, uma organização mundial de entrega de flores, à qual ainda hoje pertence.

Passado algum tempo e devido ao sucesso na loja de flores, juntamente com a necessidade de se dedicarem a tempo inteiro à mesma, trespassaram o negócio de fruta ao Sr. Vitór, irmão da Sra. Rosa. Nesta fase da sua carreira, o negócio floral cresceu a olhos vistos. Para melhor compreender o fenómeno é preciso considerar que a Casa Orquídea foi durante muitos anos a única casa a comercializar flores em São João da Madeira e arredores, além da Florista Mimosa. Outro aspeto a ter em conta é a paixão que a Sra. Rosa tem pelas suas flores e arranjos, enfim, uma paixão pela sua arte, que desenvolveu quando, jubilante, conseguiu o segundo lugar num concurso de ramos de noiva, organizado na Agrovouga e onde conheceu Maria Manta, mencionada no início deste texto. O entusiasmo da Sra. Rosa foi tal, que a levou, juntamente com Carlos Ferreira da florista Mimosa, a propor que a Sra. Maria Manta lhes desse formação, ainda que paga do bolso dos dois. Esta formação permitiu à Sra. Rosa trabalhar com confiança os seus arranjos e deixar para trás os tempos em que estes eram feitos por terceiros, tendo também começado a ter formações anuais através da Interflora.

Por fim, descrevemos, possivelmente, o aspeto mais crítico para o sucesso da Sra. Rosa: a sua dedicação. Numa altura em que o fornecimento de flores era escasso, deslocava-se ao Bolhão para adquirir flores que vendia ao mesmo preço em São joão da Madeira. "Era a única maneira de ter flores de boa qualidade" - afirma-nos assertivamente. Quando ainda comercializava fruta, chegava mesmo a sair de casa com o Sr. José à meia-noite, para dormir na carrinha, em frente à junta nacional de frutas do Porto, a fim de ter fruta fresca, em São João da Madeira, às oito da manhã!

Outro exemplo da dedicação desta respeitada florista prende-se com o milenar dia dos namorados. A Sra. Rosa tinha um cliente, o Sr. Alcides, que celebrava o dia ano-após-ano, apesar já ser casado e o dia em si não ser celebrado em Portugal na altura, há trinta anos atrás. O Sr. Alcides não conseguiu vir buscar o ramo encomendado e só conseguiu contactar a Sra. Rosa às 23:30. No final deste pequeno relato, a sua esposa não ficou sem o belo arranjo floral.
Anos passaram e a florista Orquídea ganhou prestígio na cidade da indústria. Para complementar a sua oferta floral, a Sra. Rosa, já nas suas novas instalações na mesma rua Visconde, adquiriu a loja do lado, onde passou a comercializar artigos de decoração. Esta loja serviu ainda para exposições de Natal, que começaram a ser feitas nas galerias do Edifício Corgalta e partilhada na altura com um jovem estilista sanjoanense em princípio de carreira, Miguel Vieira, que pediu à Sr. Rosa para expor o seu trabalho.

Aproximamo-nos do fim desta história, com a certeza que o manancial de experiência adquirido pela nossa empreendedora florista nunca será perdido. A Sra. Rosa não hesita em transmitir a sua sabedoria a quem a procure e muitos são os que o fazem, porque afinal não haverá melhor método do que beber o conhecimento na fonte.  
Casa Orquídea

 

2018-03-20T14:01:04+00:00